Sociedade em pandemia e Rotary. Quem precisa de ajuda neste momento?
Historicamente os clubes de Rotary esteviveram presente nas maiores pandemias e nos maiores problemas do mundo. Na gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918 (a mortal pandemia do vírus influenza que foi até 1920 atingindo cerca de um quarto da população mundial), os Rotary Clubs adaptaram suas atividades e, ao mesmo tempo, ajudaram os doentes. Registros históricos mostram reuniões ao ar livre, distribuição de panfletos com orientações sobre como evitar a propagação da gripe, ações para levantar fundos e ajudar a área da saúde, e outras açoes importantes que colaboraram com a sociedade da época. Pouco tempo depois, durante a Segunda Guerra Mundial, o Rotary também trabalhou em prol da comunidade e se posicionou junto à ONU, antes mesmo de ela ser formalmente estabelecida. Aliás, este foi um grande passo do Rotary nesta época, a solidificação da ONU com um histórico compartilhado de trabalho em prol da paz e de questões humanitárias em todo o mundo. O Rotary já contribuiu mais de US$2 bilhões para a erradicação da pólio desde que lançou o programa Pólio Plus em 1985, e está comprometido a arrecadar US$50 milhões por ano para as atividades de erradicação da poliomielite. São US$150 milhões por ano usados para cumprir a promessa que o Rotary fez ás crianças de todo o mundo: que nenhuma delas terá que sofrer os terríveis efeitos da pólio novamente. Comunidades em todos os continentes que precisam de abrigo, ferramentas ou utensílios domésticos quando perdem tudo o que possuem por conta de desastres naturais ou conflitos armados, o Rotary atende com ShelterBox, um kit que além de itens essenciais fornece esperança às pessoas que precisam começar a reconstruir suas vidas. Os problemas sociais no mundo todo, sempre foram problemas enfrentados pelo Rotary. Quando um clube de serviço forte se impõe desta forma em todos esses momentos difíceis da humanidade, ele marca presença como responsabilidade social. Essa é a grande marca do Rotary como compromisso no mundo todo. Chegamos a mais um momento deste com a pandemia da Covid-19, porém neste ano, a sociedade tem características muito diferentes do século passado. Estamos em uma sociedade em que as redes sociais são mantidas por aplicativos e fazem o trabalho de relações que antes era pessoalmente nos clubes de serviço. Estamos em tempos que as ações humanitárias podem ser organizadas e realizadas pela atual geração de alto comprometimento com a sustentabilidade e o compartilhamento, mesmo sem o compromisso financeiro mensal e de agenda semanal que os clubes de serviço possuem. É neste tempo que o Rotary vem com um notável enfraquecimento como instituição. Mas são nas dificuldades que o Rotary (vindo do ambiente analógico e da geração sólida*), enfrenta para se solidificar neste cenário (do ambiente digital e da geração líquida*) que a sociedade precisa, mais uma vez, de ações humanitárias com urgência. Fatalmente o Rotary sendo a instituição com o legado de quem colaborou com as pandemias, guerras e erradicando doenças no mundo, precisa se posicionar no momento da pandemia da Covid-19. Mas como Rotary tem ajudado? Parece que hoje o Rotary mais pede ajuda do que ajuda ao próximo. A reflexão é necessária: Como os nossos clubes as nossas entidades têm colaborado com a sociedade que vivemos e como os rotarianos têm suportado neste momento a pandemia da Covid-19? MOMENTO CRÍTICO O auxílio emergencial básico fornecido pelo Governo Federal do Brasil às famílias de baixa renda, apesar de colaborar, não traz nem o básico do que a comunidade fatalmente precisa para se manter neste momento em que estamos no topo da pandemia. Um ano após as primeiras medidas sociais (Março de 2020) o Brasil é um dos países com o ritmo mais lento na vacinação em todo o mundo¹, além de ter o maior número de mortos por dia de todo o planeta². Muita gente tem diversos tipos de necessidades dentro das suas residências, de vestuário à alimentação, de água potável à problemas psicológicos. Tudo isso têm tido reflexos importantes dentro das famílias brasileiras nas diversas camadas sociais que desceram um degrau em seu ritmo e estilo de vida e não conseguem nem adaptar á rotina de suas crianças ao novo formato das aulas on-line. Sem contar a área da saúde no Brasil (maior parte pública, do SUS) necessitando de ajuda tentando controlar a doença, seja no formecimento dos equipamentos individuais (como máscaras de proteção), seja nos insumos aos hospitais como oxigênio e remédios nas UTIs. Enfim, várias áreas estão precisando de ajuda neste momento, o pior da pandemia no Brasil. Temos um cenário rico para ajudas humanitárias. Quantas ações podemos realizar nesses vários enfoques... Será que os nossos clube de Rotary têm atuado em algumas dessas áreas para beneficiar a nossa população que tanto precisa? A adaptação à tecnologia e ao distanciamento que têm abalado a sociedade, também abalou o Rotary, óbvio. Um esvaziamento entre os clubes existe até como cuidado à vida. Mas ainda é o momento em que nós devemos pensar em não se abalar, afinal de contas não é somente o Rotary quem está precisando de ajuda, é toda uma sociedade que precisa e precisa principamente dos rotarianos. O que o nosso Rotary tem feito esse tempo da pandemia? Será que daqui há alguns anos estaremos lembrando de atuações relevantes à sociedade, igual hoje nós lembramos dos rotarianos de décadas ou cem anos atrás? Fatalmente, o Rotary será cobrado. Referência: *Gerações Sólida e Líquida, são conceitos do Filósofo Polonês Zygmunt Bauman. Fontes: ¹ https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/25/com-300-mil-mortos-pela-covid-19-ritmo-da-vacinacao-no-brasil-ainda-preocupa ² https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/30/brasil-e-o-pais-que-mais-registra-mortes-diarias-por-covid-19-em-marco
Postado em 01 de Abril de 2021 por Rotary Club de Londrina-Sul






