O Rotary está preparado para o mundo on-line?
Nestes meses de abril e maio tenho preparado e realizado palestras e treinamentos para o Rotary que dizem respeito à Imagem Pública e por consequência tecnologia e redes sociais. Ao preparar esses momentos, faço várias reflexões que envolvem nossa sociedade atualmente, o Rotary, os momentos de avanço tecnológico e de pandemia. Por estas reflexões conseguiremos entender atém mesmo o motivo de clubes e distritos estarem perdendo associados. São algumas destas reflexões que trago também aqui na minha penúltima mensagem mensal. Sendo que minha última mensagem mensal será praticamente um resumo e uma "passada" do que fizemos na gestão, esta é a última mensagem mensal de tema livre. Por isso faço aqui alguns apontamentos no sentido de incitar a curiosidade e instigar alguma mudança para nossos novos tempos (que já não são tão novos assim). Redes Sociais Quando pensamos em redes sociais, devemos entender que na história da humanidade o homem sempre se relacionou em rede, tanto que o Rotary é um exemplo disso. Se relacionar em grupos, tribos, clubes ou redes, portanto, é uma caracteristica humana. Por meio das interações sociais ao longo da vida aprendemos desde valores, crenças, hábitos, linguagem, regras e até sentimentos. Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana, um grupo social. A própria Sociologia explica esta ideia e a deomina como Fato Social. O contato social abordado pela sociologia não é a interação física ou sensitiva dos seres, mas sim na comunicação de significados, signos, podendo ocorrer entre duas ou mais pessoas, entre uma rede, por exemplo. Estamos criando e disseminando fatos sociais uns com os outros o tempo todo. Quando entendemos isso, podemos entender o quão rápido e fácil é a ampliação das redes sociais. Por isso Clubes de Serviço se encontram regularmente, como o Rotary. Entendidas as relações sociais, temos que entender o outro fator primordial nesta ampliação de redes sociais nos tempos atuais: A tecnologia. Tecnologia A tecnologia é um conjunto de técnicas e métodos para a evolução da atividade humana, portanto a tecnologia também sempre existiu, do domínio do fogo até a ida para outro planeta. Em todas as gerações vemos a tecnologia. Mais do que divisão cronológica, as gerações são divididas pelas características comportamentais que acompanham, sendo influenciadas ou influenciadoras neste processo. A geração dos Veteranos ou Tradicionais é constituída por indivíduos que nasceram entre 1925 e 1945. Os Baby Boomers são os nascidos entre 1945 e 1964. Em seguida veio a geração X, que compreende o período de 1965 a 1984. Já a geração Y é composta por indivíduos que nasceram entre 1985 e 1999. Por fim, temos a geração Z com os nascidos a partir de 2000. As diferenças sociais de gerações sempre estiveram presente na história da humanidade, mas nos nossos tempos estamos no único momento em que cada uma destas gerações tem hábitos, costumes e valores diferentes. Baby boomeers têm em mente o enraizamento, a segurança e o ímpeto de se recompor por terem nascido num pós-guerra. A 'X' já viveu mais mudanças sociais por serem filhos de uma geração tão rígida, de ambiente militar. Também conhecidos como Millennials, os 'Y' estão muito mais focados experiência do que na aquisições materiais e acompanharam a mudança do off para o on-line. E se a geração Y cresceu em meio a transformação digital, a geração Z já nasceu conectada pelas tecnologias digitais. Em todas estas gerações a tecnologia esteve presente. Em todas as gerações a evolução foi essencial para a geração seguinte surgir e progredir também. Assim é atualmente. Mas é esta mesma tecnologia que nos embaralha e nos afasta se não entendermos o motivo de nos adaptar. Por mais que nascemos em décadas distintas, estamos todos vivendo em um mesmo mundo, um mundo convergente. A convergência é a audsencia de divisões e a interação de várias plataformas unindo tudo em um só mundo. Rotary Agora, no pós-pandemia (2020), algumas questões chegam para nos inquietar como rotarianos: Como o Rotary, (por nascer no começo do século passado, em 1905), é consolidado pela geração Veteranos e solidificado pelos Baby Boomers, vai continuar existindo com os associados das Gerações X, Y e daqui há anos a geração Alfa? Como ele deve atuar em uma sociedade convergente? Como o Rotary trabalha para a comunidade, sendo que a sociedade mudou? É para responder estas questões que nós precisamos entender que a necessidade da nossa sociedade, hoje com cultura participativa, já não são mais as mesmas necessidades de gerações atrás. Assim como já tivemos reticentes em andar em um Uber ou buscar algo no Google, também estamos reticentes em nos adaptar quanto Rotary, e isto é normal, não há culpados mas também não tem como fugir e precisamos pensar sobre. Entender a horizontalidade da inteligência coletiva é fundamental para trabalhar a transformação de um clube onde a hierarquia tradicional, verticalizada, ainda é mantida. Nossos tempos nos exige uma mente pouco mais lúcida para etendermos e aceitarmos estas novas formas. Precisamos pensar em fazer coisas novas de formas novas, e não podemos somente achar ferramentas e métodos novos para fazer algo antigo. Nada há de errado em fazermos as reuniões em vídeo e usarmos uma tecnologia (principalmente durante a pandemia que vivemos), porém não podemos achar que estamos plenamente atualizados e pararmos por aí. Não adianta querermos apenas transmitir reuniões em vídeo e achar que estamos digitalizados e concluir que encontramos a tecnologia. A internet é um meio, é uma ferramenta, mas as reuniões do mesmo jeito, mesmo horário, mesmo protocolo, mesmas regras, mesmos conceitos e os mesmos projetos na sociedade ainda não sao as novas maneiras de fazer Rotary. Rotary é companheirismo e hoje os companheiros estão conectados, mas além da ferramenta digital precisamos ter o sentimento, a alma, a vivência digital. Aliás, por que não termos uma nova forma de fazer companheirismo digital. Entender o desprendimento, o compartilhamento, a nova hierarquia, e estar aberto às novidades não vai nos ajudar somente em Rotary, a nossa sociedade toda está asim! Iremos evoluir na família, no trabalho e em tudo que nos relacionamos. Até mesmo o Curador da Fundação Rotária, Mário César de Camargo, na edição deste mês (Abril, 2020) da revista Rotary Brasil, ao destacar as lições aprendidas em 13 meses de confinamento pela Covid-19, e ressalta que o Rotary caminha para diversificação e o rejuvenescimento apesar de caminhar por onde sempre caminhou. Um dos destaques que mais me chamou a atenção foi quando diz que o Rotary caminha para uma maior flexibilização, com mais conteúdo e menos forma. "Somos um clube de amigos e amigas que se reúnem semanalmente para confraternizar ou um clube com foco na comunidade?" Com esta pergunta, já temos uma ideia do motivo de estar tão dificil o trabalho no Rotary. Talvez pensar somente na confraternização e no companheirismo, nos dificulta à atualização. Se pensarmos mais na comunidade e sociedade, seremos mais digitais, por que estamos vivendo, hoje, em uma sociedade digital. Mensagem do Presidente Bruno Cardial. (Abril, 2021)
Postado em 01 de Maio de 2021 por Rotary Club de Londrina-Sul






